Gestão partilhada
Interim Management
O Interim Management é uma ferramenta que integra gestores sobre-qualificados em empresas durante períodos de transição, projecto ou crise. O universo empresarial em Portugal, como no resto da Europa, está em fase de mudança o que implica situações imprevisíveis na gestão de empresas. É aqui que os Interim Managers intervém, Apesar de ainda um pouco adormecida, todos os dados apontam para um crescimento da actividade no mercado português.
Há nove anos a trabalhar na área, lan Daniell, presidente da Interim Management Association no Reino Unido, considera que se chegou a um momento em que é importante clarificar; a oferta, os serviços, o mercado. Ponto assente é, conforme faz questão de sublinhar, que um Ínterim manager não é um consultor, e vice-versa.
Interim Management, ou gestão durante um periodo de mudança. Como é que o define, de facto?
Interim Management caracteriza o fornecimento de gestores seniores que trabalham dentro (e com) uma organização, num determinado nível e ao longo de um certo período.
Quais são as principais vantagens da ferramenta?
Flexibilidade, oferta de um serviço responsável e eficiência ao nível dos custos. O negócio do Interim Management é muito flexível: cada acordo é feito à medida das necessidades do cliente em causa. Aliás, tudo começa com uma visita ao cliente, com a identificação das suas necessidades e posterior selecção - a partir de uma vasta base de dados - de um conjunto de gestores que poderão servir para trabalhar o problema diagnosticado.
Oferta de um serviço responsável: quando um cliente nos informa da sua necessidade em poder contar com um gestor dotado de determinadas características, conseguimos dar uma resposta em cerca de 48 horas. Devido à extensa mas bem trabalhada base de dados de qual dispomos.
Eficiência de custos: os Interim Managers (gestores interinos) apenas são pagos pelos dias que trabalham, sendo colocado o ponto final na sua relação com a empresa no dia em que termina o contrato.
É importante a existência de gestores seniores - na organização - que garantam, no futuro, o nível de gestão entretanto estabelecido?
É fundamental ter um quadro, dentro da organização que assegure a continuidade do trabalho. Uma das coisas que fazemos é, passado alguns meses sobre o término do contrato, observar o legado que deixámos e o que foi feito com ele. Qual a sua evolução.
Mas como é que o Interim Management funciona, realmente, numa organização?
Regra geral, são as próprias empresas que detectam uma falha, uma necessidade e, nesse âmbito, contactam a empresa de Interim Management. Esta, por sua vez, tenta aprofundar os seus conhecimentos sobre a organização em causa, a sua cultura empresarial, estratégia, objectivos... Para que não haja qualquer dúvida quanto ao problema a resolver. Tenta-se avançar para um planeamento da operação: quanto tempo demorará, quanto custará. Com estes dados em mão parte-se para uma pesquisa à base de dados de Interim Managers, identificando-se três ou quatro potenciais gestores. Urna entrevista pessoal aos nomes desta shortlist ditará a pessoa que se julga ser ideal para a função.
E no mercado português?
O tecido empresarial português caracteriza-se por pequenas e médias empresas de cariz familiar, que poderiam beneficiar de uma gestão profissional. Até mesmo algumas grande empresas se mantêm sob alçada familiar.
Há algum momento em que os serviços de Ínterim management são mais necessários? Em maus ou bons períodos financeiros?
Pode ser tanto num como noutro, o Interim Management está associado a um período de mudança, ou a uma transição ao nível de gestão. O único momento em que esta ferramenta não resulta é quando o mercado está estável, parado.
O número de Ínterim managers aumentou 300% nos últimos três anos. E há mesmo quem afirme que à medida que vão crescendo em número, também crescem em força. Como é que explica esta taxa de crescimento?
De facto, é um número impressionante, que pode ser explicado pelo facto de haver cada vez mais pessoas atraídas pelo Interim Management. No Reino Unido, esse crescimento resulta de uma certa insatisfação ao nível profissional, com os profissionais do sector a procurarem desafios. Há 10 anos, o Interim Management era visto como o último recurso na cadeia executiva. Hoje, parece uma opção de carreira.
Porquê, então, um número tão impressionante? Em primeiro lugar, porque há cada vez mais pessoas a quererem ser Interim Managers. Depois, porque o próprio sector se tem vindo a desenvolver, arrastando consigo novas oportunidades. Além disso, muitas empresas começaram a aperceber-se dos benefícios em aproveitarem o trabalho e conhecimentos de um ínterim manager.
Em terceiro lugar, considero que houve um certo rebranding. Ou seja, muitos profissionais que no passado eram consultores, hoje são Interim Managers.
lan Daniell é administrador e director geral, com competências comprovadas em liderança e comunicação. Mestre em Gestão no Canterbury Business School e membro do Institute of Personnel and Development. É director geral do Executive Support Group desde 1994 colocando temporariamente gestores seniores em empresas. Nos últimos três anos, foi presidente da ínterim Management Association, representando os maiores fornecedores deste serviço no Reino Unido em que exigiu todas as suas competências diplomáticas. Mantém a sua associação com o Canterbury Business School no qual é também professor universitário em part-time num diploma de gestão de pós-graduações no Christchurch University College
Marketeer, Novembro de 2003
POR MARIA JOÃO MELO