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Recursos Humanos

Gandhi, o sal do Índico e a mudança nas empresas

"Temos de ser a mudança que queremos ver no mundo".
Mahatma Gandhi

Fusões empresariais, lucros em queda, mercados em retracção. Tudo isto envolve pessoas e tudo isto nos é familiar, Aliás, tomou-se assustadoramente familiar desde que o primeiro choque petrolífero abalou o mundo, há 30 anos, Mudar passou a ser vital para sobreviver, Como diria Kotler, "Só há dois tipos de empresas: as que mudam e as que morrem". Simples e directo. Mas mesmo sendo vital, a mudança raramente é sentida como algo benéfico, pelo menos numa primeira abordagem: ela é o "monstro" que irá trucidar quem cruzar o seu caminho. Por outras palavras, para atingir o sucesso através da mudança (por mais brilhante que seja a estratégia) é preciso ter coragem de levar as equipas a encarar a realidade tal como é. O medo emerge, então, com toda a força ... É o problema central que mina tantos esforços de mudança; a interacção humana e a dinâmica emocional das pessoas. Em suma; as organizações só mudam quando os quadros de referência, os valores e os comportamentos dos colaboradores mudam. Mas mudar o comportamento, pessoal ou organizacional, é essencialmente um processo emocional. No entanto, poucos de nós compreendemos as emoções e muitos preferem evitá-las.

Com efeito, a Literacia e a Inteligência Emocional são território no qual a maioria não se sente à-vontade, nem está preparada para viver. A começar pelos executivos. É aqui que entra a memória afectiva como factor-chave da "nova" aprendizagem - e, portanto, da mudança. É esta memória que deve ser estimulada, designadamente nas situações de formação. Só nela ficam solidamente gravadas as mensagens que queremos que os colaboradores interiorizem e apliquem. Estas mensagens para serem eficazes, têm de responder às questões do pão e do sal como diria Gandhi. E a mais básica de todas é: "Que ganho eu com isto?" Gandhi marchou mais de 400 km a pé para devolver aos indianos o sal do Índico e a dignidade de povo livre. A História chamou-lhe "a marcha do sal", que mobilizou centenas de milhar de muçulmanos e hindus por toda a Índia. Não havia telemóveis, faxes, Internet, nem sequer televisão para os famosos "directos"... Mas o impacto foi esmagador: pouco tempo depois, este subcontinente ascendeu à independência. Gandhi foium "treinador" (coach)/mobilizador. Milhões aderiram. A mudança aconteceu. E permaneceu.

Afinal, por que esperamos? Por quem esperamos? Por nós?...O sal continua ali!

Maria Ester Torres
Formadora e Consultora em Desenvolvimento Pessoal e Comportamento Organizacional
KNG EVOLUTION Consulting

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